UM NOVO OLHAR DA DINÂMICA GRUPAL ATRAVÉS DA ARTE

UM NOVO OLHAR DA DINÂMICA GRUPAL ATRAVÉS DA ARTE



Carolina Mariosa Bastos da Silva
6° período do Curso de Serviço Social
Centro de Ensino Superior de Conselheiro Lafaiete (CES-CL)



RESUMO:

O presente trabalho tem como objetivo fomentar a desenvoltura das inteligências múltiplas no contexto de dinâmicas com grupos nas atividades realizadas e propostas no corpo do trabalho.
As análises a serem abordadas envolvem a interatividade do grupo com as atividades propostas como dinâmicas e da relação dos componentes do grupo na contribuição, no entusiasmo e comunicatividade na realização das demais atividades. Tendo como base para análise, também, o arcabouço teórico-prático do entendimento e abordagem pelo ponto de vista do Serviço Social.


Palavras – chaves: Inteligência Múltipla; Dinâmica Grupal e Serviço Social.




INTRODUÇÃO:

Como ato introdutório, sob a luz das mais variadas reflexões a cerca do comportamento humano frente à divisão do trabalho e da inteligência múltipla, este projeto traz uma perspectiva da realização de dinâmicas grupais por meio da elaboração de atividades artísticas, com potenciais reflexivos, no intuito de levar os componentes do grupo que se pré-dispôs a realizá-las, a um ponto de reflexão frente sua própria realidade como um contexto de um todo enquanto grupo e como do seu próprio ser enquanto participante.


Destacam-se, na realização do projeto, análises do comportamento do grupo como entidade participativa, e contributiva, rica em processos de intercomunicação pessoal e intrapessoal. Uma vez que este projeto será uma contribuição inicial para o desenrolar da monografia da graduanda Carolina Mariosa Bastos, no curso de Serviço Social, foi contido como pontos essenciais para reflexões a cerca do tema escolhido, passagens de literaturas críticas sobre a sociedade e seu funcionamento, de Marx, Netto & Braz e Lukàcs, quando analisam o trabalho como condição essencial para a existência do Ser Social e que embora tenha atributos dignos de o realizarem de forma individual, a repercussão de seu trabalho dependeria ainda de um segundo Ser ou Grupo.


Netto & Braz solidificam o raciocínio relativo a esta dependência do homem pelos outros, para realizarem e se perpetuarem, ao sintetizarem que: “O trabalho é, SEMPRE, atividade coletiva: seu sujeito NUNCA é um sujeito isolado”, em (no texto.....), mesmo porque,é no ato de realizar uma atividade de maneira não individual, que o Homem se realiza como Pessoa, como indivíduo. E se percebe como integrante de um grupo seja ele pequeno, ou maior (como a sociedade civil, por exemplo).




REVISÃO DE LITERATURA:


O Homem é um Ser altamente sensitivo e capaz de construir e destruir o seu próprio meio. É o responsável pela manutenção do seu próprio sistema e através das relações que o Homem estabelece com os outros homens, ou seja, suas relações sociais é que é construído tanto sua identidade sócio-cultural como também a identidade do grupo social no qual está inserido. Como anteriormente dito e reproduzido como uma das frases mais representativas da compreensão a cerca da existência humana: “cogito ergo sum” (“Penso logo existo” – Discourse de La Méthoude, DESCARTES), o que demonstra que para a própria compreensão do SER enquanto SER pensante, participativo e social, tanto Descartes quanto Lukàcs trazem a tona questões de reflexão do homem frente a sua realidade para melhor entendimento do seu ego.


Enquanto classe, pertencente de um grupo, e sendo verdade que as atividades exercidas pelo homem são realizadas de maneira coletiva é tido como necessário a divisão de tarefas para obtenção do resultado final em um prazo mais curto. E até mesmo porque é impossível que um homem só realize um único trabalho perfeitamente caso o realize individualmente. Atividades como, a confecção de panos de prato, chinelos personalizados, flores artificiais, confecções de tricô ou crochê, dentre outras atividades de cunho artístico são atividades que o homem pode realizar sozinho. Conseguindo um certo lucro em cima do trabalho realizado, independentemente de uma demanda e/ou prazo de entrega. Mas, se for levado em conta, um processo de produção regulado por uma demanda contínua, este homem se encontrará em uma situação semelhante a confecções fabris. Ou seja, de acordo com a demanda que receber, terá de estabelecer um tempo para realização de seu trabalho visando que o produto final fique pronto sem estourar o prazo que será definido por aquele que o demandar determinado produto. Isto é, assim como o modo de regulação do Sistema Capitalista, a atividade feita de maneira individual, que possivelmente pode ser encarada como opção de lazer deste indivíduo, se transforma em mais uma regulação do mercado de consumo da atividade X exercida: Confecção manufaturada A + demanda B + produto C. Cujo o prazo será estabelecido pelo cliente. Assim é definido por Marx em sua obra “O Capital”, sugerindo a exploração do homem pelo homem (capitalista X trabalhador).

O Ser Social, por mais humano ou desumano que seja se fez dependente materialmente e emocionalmente do outro. Portanto, em atividades de grupo, é preciso pré estabelecer um ponto crucial da realização das tarefas: se a atividade será realizada para fins do bem estar social daqueles inseridos no grupo, ou para fins de aprendizado e comercialização do produto final. Quando se opta pelo bem estar dos componentes, é preciso que a linha do trabalho realizado como dinâmica em grupo estabeleça uma característica flexível para com a predisposição dos componentes. Por exemplo: se ao reunir 4 mães, divorciadas, com filhos dependentes de alguma substância química, é preciso trabalhar o produto na qual estas mães se transformaram enquanto Ser Social, para que seja feito um planejamento de atividades com as quais estas mães possivelmente possam fazer render para si um lucro satisfatório, tanto para resgate da auto-estima quanto possibilitando a abertura de um novo horizonte para suas vidas, ou seja, o lucro pode ser descrito como adesão: emocional ou material. Este grupo se tornaria um possível grupo de auto-ajuda, e funcionaria como os demais grupos já existentes como o CRM (que se encontra no CREAS), o AA (Alcoólatras Anônimos), dentre outros que visam o resgate da auto estima, e resgate da confiança do Ser em si, para abertura de seu próprio novo horizonte. O que, em partes, interessa ao desenvolvimento deste trabalho.

Portanto, é na leitura de Gardner, na sua literatura Mentes que Mudam, encontrei minhas respostas mais nítidas. Enquanto o pensamento crítico voltado ao materialismo histórico de Marx, a leitura crítica de Lukásc (que se dedicou ao contexto ontológico do ser, da consciência da luta de classes e a introdução à estética), Gorz (ao fazer sua crítica da divisão do trabalho), Netto (na compreensão da crítica a sociedade de Marx, correlacionando ao Serviço Social), a revisão bibliográfica feita a partir de nomes como: Merleau-Ponty (que quando volta sua atenção à política, publica “as aventuras da dialética”, dentre outras obras com uma linha em conjuntura ao pensamento de Marx), Hobsbawm (autor de “a era dos extremos” e “a invenção das tradições”, comungando do método marxista de análise e crítica da sociedade atual, a partir da 1° guerra mundial), Della Volpe (marxista-gramsciano / teve como intenção interpretar a estética no sentido da corrente maretialista), Leibiniz ( criador do termo “função”, a qual nota-se que as palavras: função; mapeamento; mapear; e transformar são geralmente usadas como termos equivalentes; fora um matemático, e admirador de Espinoza) me abriu um verte para compreendimento do mapeamento familiar, transformação social e até mesmo a compreensão do comportamento humano pelo método da divisão do trabalho exigido pelo sistema capitalista, Guy Debord (Internacional Situacionista e Internacional Letrista) que possibilita a comunicação deste trabalho, não somente, mas primordialmente com idéias e teorias votadas à arte como Sartre e Lukàcs fizeram anteriormente, Pannekoek (“A emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores”), Voegelin (um dos críticos mais severos da teoria marxista) que me possibilita vincular críticas à observação da realidade norteada no decorrer do trabalho e como fonte de enriquecimento do mesmo assim como de trabalhos futuros, Sartre (Das sein – existência / existencialismo), Antonio Negri (cujo a produção intelectual constitui uma analise do capitalismo tardio), Helmholtz (conhecido por sua filosofia da ciência, idéias sobre a relação entre as leis da percepção e as leis da natureza, sobre a estética e idéias sobre o poder civilizador da ciência), Espinoza (a distinção crucial para Espinoza, entre as emoções ativas e passivas, era quando as primeiras emoções, aquelas que são compreendidas racionalmente, e as outras as que não o são) e Sônia Kramer (Leitura e Escrita – seu papel na transformação de sujeitos sociais) que através de sua literatura completa a visão do projeto e colabora na busca de informações para interpretação das atividades propostas e realizadas em campo.






DESENVOLVIMENTO E MÉTODO:


Somando a hora de lazer ao bem estar proposto para análise do objetivo deste projeto, neste desenrolar teórico tem-se em vista a análise do comportamento dos participantes do grupo composto por 7 donas de casa, que são mães. Para elas foi proposto reflexões através da leitura de dois textos: “O quadro de pano” e “a moça tecelã”. Como as atividades eram correlacionadas, o projeto seguiu da seguinte maneira:

• Primeiramente, as atividades eram escolhidas de acordo com o perfil do grupo (mães, do lar, que não tinham grau superior de ensino, na faixa de 30 à 60 anos);

• Realização de leitura dos textos “o quadro de pano” e “a moça tecelã”, para fins de reflexão a cerca do tema abordado, com fundo musical instrumental (1° dia: piano, 2° dia: guitarra). Era proposto um debate de realidade versus pontos cruciais do texto;

• Reflexões e debate sobre a realização da tarefa, relato do sentimento enquanto participante, enquanto membro do grupo, e enquanto pessoa no meio do grupo. Pois era imposto limites para realização das tarefas a fim de estimular o raciocínio lógico e criativo do participante;

• Análise, por parte do pesquisador, quanto a interatividade durante a realização das atividades, até mesmo na interatividade e comunicatividade dos membros do início ao final dos dias, e até mesmo na relação dos dias que somam o projeto (. )

• Compreensão e análise crítica proposta para debate ao grupo frente ao produto final.

Comentários

Daiane disse…
Muito bom Carol!!! Tenho certeza que os resultados vão ser demais!!!!

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